O DR. ANTÓNIO VILAR PARTICIPOU NO PROGRAMA "SOCIEDADE CIVIL (VIII)", DE 17 DE ABRIL DE 2013, SOBRE O TEMA "CONFLITOS PARENTAIS" …
Os tribunais demoram, em média, 11 meses para resolver conflitos parentais, de acordo com um estudo da Associação Portuguesa para a Igualdade Parental e Direitos dos Filhos. Mas os conflitos parentais também crescem entre casais não divorciados, um reflexo em muitos casos justificado pela crise. Independentemente das razões, as crianças são sempre as mais afetadas. A que sinais devem pais e educadores estar atentos? Quando é que os conflitos parentais passam também para os filhos? Como resolver discórdias sem afetar os mais novos? É possível ultrapassar estes conflitos sem ir à barra do tribunal?
PODEM VISUALIZAR O PROGRAMA EM ….
http://www.rtp.pt/play/p1043/e114300/sociedade-civil-viii
quinta-feira, 18 de abril de 2013
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António Vilar
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4/18/2013
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PORQUE NÃO SE ENTENDEM?
Só há um caminho eficiente e eficaz a seguir perante os cadáveres
adiados que são os partidos políticos. Chama-se rutura institucional.
A propósito da
reunião havida esta semana entre o Governo de Passos Coelho e o PS de António José
Seguro – um encontro para “Troika” ver, mas falsa como Judas – veio-me ao
limiar da memória a celebre frase do rei Juan Carlos, de Espanha, ao, então, presidente
da Venezuela, Hugo Chaves: “Por quê no te
callas?”.
Claro que a
pergunta, no transe, deveria ser a contrária: porque é que Passos e Seguro não
falam sobre o que vai por este martirizado país fora? Porque é que não se
entendem sob um denominador comum mínimo que poderia ser, singelamente, o tema,
da democracia em Portugal cuja sobrevivência, após passar o estado atual de
suspensão, está em causa? (Não me refiro aos procedimentos de uma democracia
formal, é claro…).
Cada um dos
leitores terá a sua opinião e, decerto, a verdade, também aqui, será algo
próximo da soma da verdade de cada um. Mais relevante, porém, do que saber a
razão da dissensão é a convicção (ou crença?) de que com estes “jotas”,
formatados nos conúbios partidários e que nunca fizeram mais nada de útil e
digno na vida do que passarem-se rasteiras uns aos outros, não haverá jamais qualquer
entendimento político-partidário. Nunca foram ensinados a partilhar e, na sua
formação, apenas receberam instrumentos para se guerrearem. Eles levarão
naturalmente, um dia, os respetivos partidos políticos ao seu fim por implosão.
Está escrito nas estrelas, diria o outro eternamente jovem jota. Talvez nesse
fim esteja, porém, um novo começo…
Num mundo em
profunda mudança e ainda sem desígnio algum quanto ao futuro, varrido por
ventos ciclónicos que sopram de diversos quadrantes e o tornam num verdadeiro
inferno para muitos homens e mulheres; num tempo de desconstrução das grandes
categorias do pensamento, de generalização do precário de glorificação, do
efémero e do transitório – tempo “líquido” e de crise de valores, precisamos de
heróis e de santos. De estadistas. De homens e mulheres avisados e competentes,
com experiência das agruras da vida e não, apenas, do saber gasoso dos
gabinetes, cá de dentro ou lá de fora.
Há, porém, uma
outra crise de que pouco se fala e que é a crise da inteligência. Como se não
bastasse o amadorismo dos que governam, a sociedade portuguesa também não vive
um tempo glorioso naquele aspeto. E, talvez, por isso, se comanda e pune
conforme está escrito nos livros (dos outros) e não segundo o interesse dos
portugueses. E se faz oposição “a la
carte”, também.
Não subsistem
muitas dúvidas de que, para além de dependermos (por vontade dos políticos
nunca plebiscitada) da U.E. e dos seus anões políticos, é de nós próprios que,
acima de tudo, dependeremos no futuro. Na política não há amizades, nem países
amigos: há interesses. Deixo, a propósito, uma pergunta muito, mesmo muito
ingénua: alguém sabe se a Alemanha pagou a totalidade das dívidas da II Grande
Guerra aos países que destruiu e quis subjugar? E como e quando é que pagou o
pouco que pagou? É um tema incómodo – como o da compra dos submarinos – mas que
um dia verá ser feita justiça. Os gregos já lançaram a âncora ao mar.
Retomando o fio
à meada direi que só há um caminho eficiente e eficaz a seguir perante os
cadáveres adiados que são os partidos políticos (sabe o leitor que, quando
vota, ajuda a encher-lhes os cofres com o o seu próprio dinheiro?!) que detêm o
poder e as rédeas da (pseuda) oposição. Chama-se rutura institucional. No entretanto
seria de mais pedir um esforço suplementar ao PS, ao PCP e ao BE para que
construíssem, em diálogo, uma alternativa conjunta ao descalabro vigente?
Se tal viesse a
acontecer, os poderes financeiros que, nas trevas, dominam o mundo, revoltar-se-iam,
decerto. E far-nos-iam pagar caro o atrevimento. Mas, afinal, não perdemos já
tudo, até a dignidade?
A arrogância de
um certo PS não será perdoada nem a intolerância de certa esquerda.
Não perceberem
que o mundo mudou é um crime.
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António Vilar
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4/18/2013
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quinta-feira, 11 de abril de 2013
PASSOS COELHO PÔS EM CAUSA O REGULAR FUNCIONAMENTO DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS
O sonho de muitos
seria o de um Direito submisso à economia e à finança – aomercado livre, rei e
senhor de tudo e de todos.
De modo ingénuo
e gratuito, Passos Coelho, na condição de primeiro ministro de Portugal, pôs em
causa o regular funcionamento das instituições democráticas ao pronunciar-se
sobre o Acórdão do Tribunal Constitucional que declarou inconstitucionais
várias normas do O.E. 2013.
Um estadista
diria, quando muito: não concordo, mas
respeito – porque perceberia, de antemão, as ondas que quaisquer outras
palavras provocariam no espaço público (como provocaram). E foi um ato gratuito
porque o Governo (ainda) não manda no Tribunal Constitucional e, por isso, não
teve consequências sobre as decisões deste tribunal.
A política, como
ideologia e combate, terá vencido, mas a arte de fazer política ficou para
trás. E em tempos de crise é, porventura, o que mais falta faz.
Há que
reconhecer, porém, que o Governo mantém a coerência da sua estratégia à qual,
expressivamente, Vítor Gaspar, o governante da tabuada, veio trazer os
pertinentes “esclarecimentos” com o inefável despacho onde proíbe novas, várias
despesas do Estado sem sua autorização prévia. Vale a pena atentar nestas importantes
afirmações: “a) Que cada ministério se
compromete a limitar e a organizar os seus serviços dentro da verba global que
lhes seja atribuída pelo Ministério das Finanças; b) Que as medidas tomadas
pelos vários ministérios, com repercussão directa nas receitas ou despesas do
Estado, serão previamente discutidas e ajustadas com o Ministério das Finanças;
c) Que o Ministério das Finanças pode opor o seu «veto» a todos os aumentos de
despesa corrente ou ordinária, e às despesas de fomento para que se não
realizem as operações de crédito indispensáveis; (…)”.
É evidente que
assoma aqui a tentação de um certo determinismo económico e jurídico. A crise
financeira justificaria tudo e os governantes não teriam limites jurídicos
(constitucionais) a respeitar na sua ação. Ora é preciso que a sociedade civil,
para não ficar sem o que ainda resta do princípio democrático em Portugal,
resista a este determinismo. O sonho de muitos – no Governo, na banca, nas
empresas – seria o de um Direito submisso à economia e à finança – ao mercado
livre, rei e senhor de tudo e de todos. E, também, de um Tribunal
Constitucional situado ao nível dos partidos políticos e dialogando com os seus
interesses. Felizmente que tal (ainda) não aconteceu e o Tribunal
Constitucional esclarecidamente afirmou a sua independência e o vigor
conveniente à defesa da nossa Constituição. Mesmo que o merecimento do dito
acórdão (200 páginas, Professor Marcelo!) deixasse a desejar aqui ou ali,
jamais deveria ser vilipendiado como o foi pelo PSD (o CDS/PP onde anda? Alguém
o viu por aí?).
Temos Estado de
Direito, pois, para além da dívida e do défice.
O que ficou em
crise foi, sem dúvida, o regular funcionamento das instituições democráticas.
Nesta situação caberia ao Presidente da República, nos termos do artigo 195º nº
2 da Constituição demitir o Governo. Mas o que significa “regular funcionamento
das instituições democráticas”? Decerto que não interesses pessoais ou
partidários, mas situações, contingências ou acontecimentos em sentido
jurídico-constitucional graves (cfr. J. J. Gomes Canotilho e Vital Moreira,
Constituição da República Anotada, 4ª ed., II, p. 464 ss.). Estes autores,
entre os exemplos que apontam, não se referem ao conflito entre o Governo e o
Tribunal Constitucional. Talvez não o admitissem possível em regime
democrático… Certo é, porém, que o que se passou e foi dito pelo Governo, antes
e depois do conhecimento do Acórdão do Tribunal Constitucional nº 187/2013, é
um mau prenuncio para o futuro, designadamente para a independência – e tudo o
que ela significa em democracia – de um Tribunal Constitucional.
P.S.: Já
concluída esta crónica, verifiquei que as afirmações que acima referi,
pretensamente do atual Ministro das Finanças, são, afinal, do Doutor Oliveira
Salazar (ver Diário de Notícias de 28 de abril 1928) naquele célebre discurso
em que esclareceu: “Sei muito bem o que
quero e para onde vou”. Não indo já a tempo de corrigir o texto, deixo ao leitor
o cuidado de encontrar as diferenças…
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António Vilar
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4/11/2013
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quarta-feira, 3 de abril de 2013
VOTE NO TIRIRICA, PIOR DO QUE ESTÁ NÃO FICA
A governança, soberanamente indiferente à
expressão da indignação popular – até quando? – continua a governar com base em
números, alheada da Lei e das pessoas.
Veio-me à
memória, por estes dias, o Tiririca que se tornou deputado federal pelo Estado
de S. Paulo, no Brasil, em 2013, com o slogan que encima esta crónica. Poderia lembrar,
também, o caso, mais recente, de Beppe Grilo, em Itália, (que não se afasta
muito do de Berlusconi) e o do “nosso” madeirense José Manuel Coelho entre
outros. Todos exprimem, cada um a seu modo, a degradação dos sistemas político
partidários tradicionais em que os cidadãos já não se vêm representados e,
decerto, exprimem ainda a indignação que se enraíza na sociedade contra os mesmos
sistemas.
O voto nesses
candidatos – que inscrevem a sua eleição nos parâmetros legais democráticos –
são mensagens de desconfiança que visam os políticos que tomaram, há muito, de
assalto as instituições. São votos de indignação contra as políticas dos
partidos pretensamente “sérios” do regime e, no fim, votos antipolítica. Pouco
relevo lhes tem sido dado pelos cientistas sociais mas justificam análises
aprofundadas. Desde logo pelo perigo que constitui a ocupação dos Parlamentos
por gente vazia de ideias concretas, sem preparação ideológica e doutrinal (mas
nisso pouco diferem dos outros, que já lá estão, tidos por “normais”) que não
sabem, apesar de voluntaristas, o que realmente querem. Ou que querem apenas
destruir a classe política reinante. Depois, porque enraízam em profundos
paradoxos que crescem aceleradamente nas sociedades e que se têm revelado em
múltiplas manifestações no espaço público com características antes
irrelevantes: reunindo muitos milhares de pessoas, cada vez mais, não manifestam,
a não ser na indignação, um objetivo comum. Na verdade juntam-se a protestar os
que reivindicam do Estado proteção social, saúde, ensino (mais despesa,
portanto) e aqueles que repudiam os “cortes” nessas despesas, ou seja, aumento
de impostos (menos receitas do Estado).
A governança,
soberanamente indiferente à expressão da indignação popular – até quando? –
continua, por seu lado, a governar com base em números, alheada da Lei e das
pessoas.
No contexto singelamente
assinalado acima, encontram-se já os ingredientes para que, um dia destes,
tenhamos de engolir uma sopa de pedra muito amarga.
Admitindo que a
realidade sócio-política não foge ao que se vêm de dizer, parece inacreditável,
por paradoxal, também, que as sondagens que vêm saindo a terreiro apontem ainda
para o apoio de uma significativa parte do eleitorado aos partidos que estão a
levar tantos à indignação e o país à depressão. Mas talvez não seja assim tão incongruente.
É que, na verdade, há, neste tempo de crise, os que as sofrem porque foram escolhidos
ideologicamente como seus destinatários e os outros para quem a crise passa ao
lado das suas vidas e dos seus pecúlios devidamente acautelados. Ora se forem
estes os que ditam os resultados das sondagens é natural que tudo esteja bem, o
governo seja magnifico e a austeridade adequada…
A austeridade enquanto
punição não vem na Bíblia. É uma construção do homem austeritário, contra
outros homens.
Desde finais da primeira
década dos anos 2000 o panorama é, um pouco por todo o Ocidente, particularmente
dramático perante o imparável desígnio de certos poderes de sugar a vida à vida
de quem trabalha numa estratégia em que ressaltam procedimentos eminentemente
biopolíticos expressos, designadamente, na desvalorização do trabalho em todas
as suas dimensões. Empobrecer é o caminho imposto às pessoas, às famílias e às
instituições – cortes na retribuição do trabalho, nas prestações sociais,
aumento da carga fiscal – mas não só. Mais tempo de trabalho, maior
subordinação dos trabalhadores, mais precariedade, menos segurança, menos
higiene e saúde no trabalho, avultam, também, entre as regras, impostas por uma
alegadamente necessária austeridade que culmina na exclusão social e destroça a
própria vida. A “fadiga laboral” instalou-se sendo que a suportabilidade das
condições do trabalho material foi ultrapassada e é, agora, à própria vida dos
trabalhadores, ao seu ser imaterial, que os poderes recorrem extorquindo-lhes o
pouco que ainda resta. Do outro lado da barricada tudo vai bem…
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António Vilar
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4/03/2013
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terça-feira, 26 de março de 2013
PODEMOS CONFIAR NOS BANCOS?
Os bancos tornaram-se negócios e os negócios
tornaram-se bancos. Tudo parece começar a acabar neles, neste tempo em que
sabemos o preço de tudo, mas já não
temos consciência do valor de nada.
Estamos num
tempo de adaptações dolorosas que se diz serem inevitáveis. Num mundo submetido ao poder
apátrida das multinacionais e dominado pela alta finança e sua sobranceria.
A insegurança
quanto ao futuro, a falta de confiança nas instituições, a injustiça e a desigualdade
cada vez maiores, a fragilidade e precariedade do emprego, a rápida
obsolescência de quase tudo o que se aprende, a hipocrisia da moral como regra
da política, a balcanização e pulverização aceleradas do mapa geopolítico do
planeta são os nossos companheiros de viagem.
O que se passou
em Chipre, alegadamente imposto pela União Europeia e pelo Fundo Monetário
Internacional, anuncia invernos dramáticos em outros países. Aberta a “caixa de
Pandora”, ninguém poderá, com um mínimo de credibilidade, dizer que o mesmo não
se verificará de novo.
Os bancos andam
a brincar, há muito, com o fogo. O nosso dinheiro é a sua mais valia, com que,
depois, de resto, nos alienam e exploram. E não há regulação do sistema
bancário que resista quando o regulador é quem fixa as regras da regulação
através de subtis e peritos conúbios…
Ainda há pouco a
palavra mágica era “se queres dinheiro
vai ao …”. Hoje, o que a realidade evidencia é que quem lá foi anda com a
corda ao pescoço e com pouca expetativa de sobreviver.
A ideia de que
os bancos são entidades fiáveis, éticas, cumpridoras da lei, seguras, não
resiste à mais leve e superficial análise. Não é uma questão, aliás,
desconhecida entre nós. Os casos do BPN e do BPP, apesar do pouco que desses escândalos
se sabe! – evidenciam a opacidade do sistema financeiro que comanda o mundo e
tem filiais em Portugal.
Os bancos
tornaram-se negócios e os negócios tornaram-se bancos (cfr. Sofia Santos, A
Banca em Portugal e a Economia Verde, 2012, p. 117). Tudo parece começar a
acabar neles, neste tempo em que sabemos o preço de tudo, mas já não temos consciência
do valor de nada. Banqueiros, políticos e seus cúmplices são os donos das
nossas vidas levando-nos, atrelados, para onde bem entenderem, com um objetivo
único, que é o deles, de maximizar os lucros mesmo que para tal haja que
espezinhar a dignidade das pessoas e os mais elementares direitos humanos. Os
casos, bem conhecidos, de execuções por incumprimento de pagamentos de
empréstimos para compra de habitação – entre tantos outros – são a prova cabal
dessa posição.
Há que tomar
consciência de que a banca, em 2008-2013, mostrou, afinal, que só vive para si
própria e que como os eucaliptos, seca tudo à sua volta. A superioridade
negocial que ostenta face ao comum dos depositantes e clientes é um fator de
injustiça e expressão da servidão de quantos a ela têm de recorrer. O seu poder
absoluto, corrompe absolutamente.
Sei bem como
seria difícil viver numa economia sem um organizado sistema bancário. Mas, por
mim, não compraria um automóvel em segunda mão a muitos dos banqueiros que têm
estado em cena neste mundo que está de patas para o ar (Galeano).
Fique, porém,
uma palavra nova e de esperança neste horizonte, bancos orientados por valores
como alternativa ao atual sistema financeiro. Bancos que não visam a
maximização dos lucros, mas têm objetivos sociais e solidários. É o caso do
TRIODOS BANK e do CO-OPERATIVE BANK (ver obra citada, p. 93 ss.). Se a
sociedade civil acordar a tempo – o tempo chega sempre, mas às vezes não chega
a tempo – poderemos acabar, um dia, com as aves de rapina. Entretanto, caros
leitores, não hesitem em utilizar o livro de reclamações que os bancos têm de
disponibilizar. Na dúvida, não acredite na seriedade dos seus atos e contratos.
Indigne-se. Proteste.
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António Vilar
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3/26/2013
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sexta-feira, 15 de março de 2013
O PORTO E A SUA REGIÃO– CAPITAL DA FACHADA ATLÂNTICA DA EUROPA
O Porto e a sua região
no contexto da fachada atlântico da Europa constitui-se num território de novas
conquistas, de um outro futuro, de maior dignidade cívica.
Poucos se surpreenderão
ao verificar o título desta crónica. Sonho antigo, defendi-o com quantas forças
pude e ao lado dos grandes homens que, então, partilhavam, no seio do Forum
Portucalense, tais ideais. Mas a vida dá muitas voltas e, por isso, essa
ambição foi metida na gaveta.
Há dias, porém,
fui inquietado por um brasileiro, Cássio Rolim, professor universitário, grande
entusiasta da “Construção do Grande Norte”
nas suas próprias palavras. Fiquei surpreendido, tanto mais que nos juntamos na
presença de um homem do Norte, o Sr. Prof. José Silva Costa. Uns dias depois
desse encontro, o Prof. Rolim escreveu-me umas linhas, poucas mas profundas,
onde fundamentava uma proposta para o seu projecto de conferências: “A região Norte de Portugal vive uma situação
paradoxal. Nela está instalado grande parte do parque produtivo, uma parcela
importante da população universitária, e o segundo aglomerado urbano do país.
Além disso, mantém importantes relações económicas com as regiões espanholas
vizinhas o que possibilita a consolidação de um amplo espaço económico
transnacional. No entanto, apesar de todas essas vantagens, vem perdendo
participação no PIB português ao mesmo tempo em que tem elevados índices de
pobreza.”.
Com tantos
autoproclamados “notáveis” no Norte – pensei eu – como é que tem de vir alguém
do outro lado do Atlântico para nos chamar à pedra?! Eu senti-me interpelado,
desafiado, envergonhado e aqui estou de novo, pois, para convocar os que ainda
não desistiram de viver a sua (e na sua) terra para esse combate do futuro:
fazer do Porto e da sua região a capital da fachada atlântica da Europa. E devo
dizer que o facto de o país estar a atravessar uma gravíssima crise me dá ainda
mais alento.
A regionalização
do país – que, no transe, seria um instrumento adequado - não tem sido mais do que
uma brincadeira na mão dos políticos de vários quadrantes. Ora a defendem, ora
a repudiam conforme os seus interesses de ocasião que nunca são, porém, os
interesses de Portugal nem os da democracia. A criação das regiões está, desde
sempre, prevista na Constituição da República mas, apesar de tantos defensores
desta (e dos direitos adquiridos) tal previsão não preocupa os partidos. E até
se compreende, pois, nos jogos palacianos das suas ditaduras internas, aqueles
tem mais com que se preocupar, ou não fossem hoje essas entidades funestas os líderes
da corrupção em todas as dimensões da palavra.
A
regionalização, como caminho para se alcançar uma nova sociedade de onde a
crise possa ser desalojada, é, porém, um imperativo que só não é compreendido na
capital – que ainda se tem por capital de um império colonial e onde, agora, as
colónias são as regiões deste maltratado país.
Regiões e
cidades estão, porém, no mapa de um outro possível futuro. Já lá vai o tempo
dos Estados-nação e não é possível ignorar mais as cidades e as regiões mundo
deste tempo global.
O Porto e a sua
região, no contexto da fachada atlântico da Europa, constitui-se num território
de novas conquistas, de um outro futuro, de maior dignidade cívica. É notório
que, para tal, tem qualidades humanas e materiais, muitas delas, porém,
desperdiçadas até agora por invejas e egoísmos de autarcas autistas. O tempo
exige austeridade mas não proíbe a reflexão e, por aqui, é fácil de concluir
que acabou o tempo do cimento e, agora, é o tempo do conhecimento.
Criar valor é o
que o Porto e a sua região pode e deve fazer. E é nas PME, que marcam o seu
tecido económico, que residem os melhores espaços para desenvolver a economia
do futuro que em breve não será mais a de produção em massa. A escala das
regiões será a potenciadora maior das inovações tecnológicas que se adivinham,
em novos produtos e outros serviços.
Quer queiram,
quer não, o Porto e a sua região, na fachada atlântica da Europa, estão no
caminho do futuro. Vamos demonstrá-lo.
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António Vilar
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3/15/2013
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
A VERDADE É QUE ALGUÉM TEM DE SOFRER
Alguém
tem de sofrer. Nada melhor, então, do que os que sempre sofreram. Até
porque já estão habituados.
Vou reproduzir,
com a devida vénia, uns parágrafos de um livro luminoso (que ilumina) de Rui
Zink e que se chama “A instalação do medo”. Vem na página 124 (1ª ed. outubro
2012): “Era uma vez um rico cujo amigo
pobre passava a vida a sarraziná-lo por causa da sua fortuna, até que um dia o
rico se fartou e disse: olha lá, se dividíssemos a minha fortuna entre a população
inteira do país, quanto achas que dava a cada um? O amigo pobre não queria
responder, só que o rico insistiu. E lá acabou por dizer: sei lá, cinco ou dez
patacas.
Então o rico foi ao porta moedas e tirou dez
patacas. “Olha, aqui está a tua parte. Agora não me chateies mais”.”
Neste espírito –
estou convencido – vivem muitos neste tempo de austeridade. Uns, resignados,
escondem da sociedade as suas dificuldades. Outros, indignados, gritam a sua
revolta. Todos estão insatisfeitos.
Nem na pobreza
há consensos!
Nem na riqueza
há lucidez!
O tempo presente
não tem ideais. Não tem líderes, nem homens de Estado. Tudo são loucuras
vulgares de gente vulgar. Vivemos as nossas vidas como “vidas instantâneas” sem
estratégias de futuro. A política é apenas a “arte de furtar” muito e depressa
num tempo de pensamento líquido. Até a vida é furtada à nossa vida.
A “arte da fuga”
vai a par com a de furtar. Ninguém é responsável por nada – salvo os que sofrem
o castigo da Troika, esses irresponsáveis que andaram a gastar mais do que
podiam. Os políticos, do governo ou da oposição, não assumem qualquer
responsabilidade social passada, presente ou futura. A culpa morre sempre
solteira.
Alguém tem de
sofrer. Nada melhor, então, do que os que sempre sofreram. Até porque já estão
habituados.
A política do
medo tornou-se, por isso, numa forma dominante de governar levando ao
descomprometimento com quaisquer valores. Quem se move e age mais rapidamente
domina e quem não pode mover-se tão rapidamente é escravizado.
As notícias que
chegam do futuro deixam-nos arrepiados. Não há túnel, quanto mais uma luz ao
fundo do túnel! O mercado – os mercados – parece terem ganho a batalha. Nada
mais conta na era em que entramos. À nossa frente parece haver apenas deserto
onde todos os caminhos estão em permanente liquefação.
Não somos donos
do presente quando a democracia jaz e apodrece pelo mundo ocidental fora. E não
seremos senhores do futuro sem o poder económico e o poder social que já
escaparam às mãos dos políticos gasosos que nos capturaram. A inexplicabilidade
do presente e a inatingibilidade do futuro é tudo quanto têm para dar à
sociedade. Entretanto dizem governar a bem do interesse nacional e para criar
condições futuras de bem estar.
Alguém tem de
sofrer. Terá mesmo? E se esse sofrimento fosse partilhado por todos e, em vez
de levar – como está a levar – à implosão da sociedade, visasse a promulgação
de uma ordem nova e melhor?
O maior problema
da Europa (e de Portugal) é que não tem voz no mundo atual. Está entregue a uma
geração que nasceu e sempre viveu sem esforço num mundo dominado pela ficção científica.
Deles só há que esperar, um dia destes, que entoem o de profundis e regressem aos seus lugares de conforto. Afinal não
foi assim que fizeram os seus maiores e sem que, em geral, algo de mal lhes
tenha acontecido?
Eu recuso as dez
patacas.
E vou continuar
a chatear.
Publicada por
António Vilar
à(s)
2/25/2013
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