quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O MÊS DE AGOSTO

“a vida é a passagem do espírito pela matéria”

Por razões tão difusas que nem as consigo verbalizar, tenho a crença de que em agosto acontecem, todos os anos, calamidades e tragédias. E lembro, para me justificar, desde logo, o incêndio no Chiado, (e tantos outros pelo país fora) mas, também, inúmeros outros factos, como acidentes graves e mortes, anunciadas ou não. Possivelmente é o ritmo de vida que, mais lento nesse mês, me permite olhar detidamente, então, para o “mundo da vida”, pois durante o ano é a política de mercearia que me obriga a consumir sempre que oiço os media a vender notícias que me ocupam e preocupam. É, na verdade, uma arte a do mensageiro (media) que nos leva a consumir tanta inútil obscenidade! E, a propósito, aqui deixo uma sugestão a respeito dos fogos: que as televisões acordem em se interditar de dar aos espetadores a mínima imagem de fogos florestais. Já todos sabemos, há muito, que o país está a arder e, com chamas nas televisões a toda a hora, haverá muitos incendiários a sentir-se espevitados para mais uma ignição.

Adiante.

Sensibilizou-me, nos dias mais recentes, este ano, o óbito de Jacques Vergès. Também o de Urbano Tavares Rodrigues e o de António Borges. Sem angústias ou medos – “a vida é a passagem do espírito pela matéria” (Fernando Pessoa) sempre a caminho do retorno à Natureza – olhei apenas para o que representaram para mim estes homens que, mais ou menos, conheci em vida.

O que, no transe, é de relevar, não passa por lembra-los numa elogiosa biografia ou hagiografia, mas focar-me nos valores pelos quais os referenciei um dia, os acompanhei depois, e não os esquecerei jamais. Não que me identifique passivamente com os seus valores, mas porque, sobretudo, os deles confrontaram-se com os meus, porventura na busca intemporal da verdade.

Jacques Vergès, que faleceu em Paris no passado dia 15 de agosto, foi um advogado que ficou ligado a causas apocalípticas, nomeadamente ao defender alguns ditos grandes criminosos, tais como Klaus Barbie, conhecido criminoso nazi ou Pol Pot, líder dos Khmers Vermelhos no Cambodja. Advogado, como ele, confesso que sempre me inquietou na minha vida profissional ter de defender situações consideradas, à partida, escabrosas. De resto tive, muitas vezes de responder à fatídica pergunta: “E tu defendeste esse criminoso?” Ancorei-me sempre numa frase do António José Saraiva, Filhos de Nepturno: “Cada homem é um deus aprisionado num corpo”. E, assim, posso afirmar que defendi muitas vezes o Homem que vestia de criminoso. Como homem (como eu) sujeito a errar e com direito à sua verdade e ao eventual arrependimento. Sei, também, que outros que não defendi, grandes criminosos, andam por aí de Ferrari, frequentam os mais caros restaurantes e continuam no palco político e social. Mas deles não se fala…

Vergés foi ousado mas, sobretudo, terá percebido que “há mais coisas no céu e na terra” do que alguns pensam.

Urbano Tavares Rodrigues, um “malvado” comunista, deu-me longas horas de prazer através da leitura das suas obras. Nelas encontrei a fraternidade simples que só os escolhidos sabem cultivar. Escreveu sobre todos os homens e sobre o Homem todo. De ontem, de hoje, de amanhã.

António Borges, falecido em Lisboa no dia 25 de agosto representa um caso diferente – aparentemente diferente – nos escaninhos da transitoriedade humana. Desde que, um dia, no ano de 2005, me confrontei com ele num debate, num hotel do Porto, em tempos de uma ilusão politico-partidária que o parecia motivar, fiquei alerta para as consequências de um certo liberalismo desgarrado da realidade portuguesa. Muito longe do seu ideário, julgo que o que mais me levou a admirá-lo foi o seu permanente combate em prol das suas ideias. Ele julgava-as justas e por elas lutou sempre, até ao fim. Só por isso me curvo perante a sua memória.


A vida continua. Os exemplos não se esquecem.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

CONSTRUIR UM NOVO PORTUGAL, TAMBÉM PELA “EXPORTAÇÃO” DA EDUCAÇÃO

O financiamento do sistema de educação em Portugal atravessa dificuldades dramáticas, mas é inegável nele se integram profissionais da excecional qualidade intelectual e não faltam instituições de ensino competitivas ao nível do que de melhor há no mundo.


Aproveitei o solstício de verão para olhar de outro sítio para a crise que nos atormenta – de um ponto de vista menos pessimista e interpelando, sobretudo, as oportunidades de construirmos um novo Portugal. Na última crónica referi-me, por isso, ao Turismo de Saúde e Bem Estar. Agora deixo umas breves linhas sobre educação.

Assomou-me à memória, nessa reflexão, recorrentemente, Agostinho da Silva e a sua fé numa missão especial de Portugal no mundo: a de construir um Quinto Império cultural (já oiço vozes a clamar: loucura! - mas deixem-me ir até ao fim). Recordo, em particular, uma frase “A Europa esgotou-se no Poder e temos, agora, de partir para outra fórmula que é cada homem ser aquilo que é” (in Agostinho da Silva, Dispersos, p. 128). Loucuras vulgares, decerto…

Face a todos os problemas que surgem ao evocar esse termo, polisémico e de largo espectro, é na perspectiva de sistema que vão ancorar estas breves linhas. E com os olhos, tanto quanto possível, virados para o amanhã. Convoco, para tanto, alguns conceitos e ideiais da chamada “economia de educação”, designadamente os aspectos “micro económicos” do sistema educativo.

O financiamento do sistema de educação em Portugal atravessa dificuldades dramáticas, mas é inegável nele se integram profissionais da excecional qualidade intelectual e não faltam instituições de ensino competitivas ao nível do que de melhor há no mundo.

Porquê, então, a presente crise?

Creio que se tem, olhado excessivamente para o dia-a-dia ou, então, para as grandes filosofias, deixando, porém, de lado coisas simples em busca de respostas complexas que nada têm resolvido.

Anda na boca de muitos a ideia de exportação do Ensino Superior – atrair alunos estrangeiros para as instituições de ensino supeior portuguesas. O objetivo é meritório e, mais do que isso, estratégico também para a economia nacional. Outros países já descobriram essa mina há muito tempo. Acontece, porém, que, deixando nós tudo ao “desenrascanso” e ao voluntarismo de alguns, o mundo ignora Portugal também como destino para estudar. E, os poucos que não ignoram chegam cá e têm aulas em “globish” – o inglês da praia e das discotecas.

Ora para isso iam para os EUA ou para o Reino Unido!

Defendo, pois, que se valorize a língua portuguesa nesse ensino, deixando de lado o provincianismo tradicional. Aulas em português, por professores portugueses e, eventualmente, em outras línguas (repito, outras) por professores eméritos de outras nacionalidades, se for oportuno.

Não ignorem, o potencial económico de língua portuguesa – atual e futuro. Pensem e informem-se, senhores do poder. Leiam, por exemplo, esse livrinho fundamental de Luís Reto (“Potencial Económico da Língua Portuguesa”, Texto, 2012), além dos já escritos de Agostinho da Silva!

E para concluir, que o espaço é curto, haverá alguém disponível para apoiar a institucionalização de um projeto de mobilidade de estudantes de todos os países de língua portuguesa, algo tipo “ERASMUS”?

A Fundação Afro-Lusitana (que a irresponsabilidade que nos governa quer extinguir sem contraditório) vai tentar fazê-lo. E, também, organizar uma Universidade de Verão para esses estudantes.


Voltarei a estes temas um dia.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

DAR UM FUTURO AO NOSSO PASSADO

Somos detentores de saber, instituições e infraestuturas que poucos países mais possuem, mas temos vindo a levar ao descalabro essas situações exemplares e os possíveis que eles contém.

Em tempos de crise, de forte tempestade, uns erguem altos muros, mas outros constroem moinhos de vento.

Não vale mais a pena perder tempo com as garotices dos “jotas” que, sem preparação política nem a mínima qualificação, sequestraram o poder neste país e não o querem largar. Continuarão no governo e à mesa do orçamento mas num país que já não é soberano, nem seu. No fundo, tomando a metáfora de Pedro Adão e Silva, movendo-se como o galispo a quem, cortada a cabeça para ir para o tacho, ainda assim corre desalmadamente, sem tino, até ao destino final, inexorável, por mais altos que sejam os muros que tenham construído.

Há alguns portugueses, cá dentro e lá fora, que, ao contrário, lutam por um futuro digno, decente, próspero e racional. Há que olhar mais do que nunca, agora, para os seus exemplos e para aquilo em que acreditam. Para os moinhos em que os ventos da crise poderão, afinal, produzir um outro mundo, melhor.

Nesta e nas próximas crónicas, vou referir-me a duas áreas em que não poderemos ignorar as oportunidades de vencer. Uma, a que hoje abordarei, é o Turismo – particularmente o turismo de saúde e de bem estar. A seguir abordarei a Educação. Num e noutro âmbito somos detentores de saber, instituições e infraestuturas que poucos países mais possuem. Acontece, porém, que com exacerbado populismo e falta de “mundo” nas nossas cabeças, temos vindo a levar ao descalabro essas situações exemplares e os possíveis que eles contêm.

Temos um Serviço Nacional de Saúde que já foi considerado um dos melhores do mundo, bem como hospitais privados de grande qualidade, o que, infelizmente, não tem paralelo na generalidade dos países, nomeadamente nos de língua portuguesa, mas não só. E esta situação não se reverterá senão daqui a muitos anos. Além disso, num tempo posmoderno, assiste-se, sobretudo no Ocidente, ao renascimento do turismo de saúde e de bem estar.

Porque não partilhamos o nosso ser, o nosso ter, o nosso saber com os que possam estar interessados?

Precisamos de espírito de conquista e de planos de batalha, - de uma estratégia – que, em vez de incentivar os melhores médicos, enfermeiros, administradores hospitalares e outros profissionais de saúde a partir para outras paragens à mingua de condições dignas de vida neste país, aqui encontrem a sua realização pessoal contribuindo também para o bem estar de todos e o desenvolvimento de Portugal.

A saúde e o corpo são bens que o futuro humano cada vez mais consagrará. Se temos um terreno fértil, porque razão não o cultivamos dando curso a uma verdadeira revolução paradigmática na saúde?

Conheço várias tentativas e, até, casos reais em que tal ambição está presente, mas estou consciente, sobretudo, do espírito fechado, mesquinho de uma sociedade empresarial velha, enquistada em padrões tradicionais e, sobretudo individualista. A revolução urgente, não se compadece com estes novos “velhos do Restelo”.

Há, por um lado, que partilhar conhecimentos, instrumentos e objectivos.

Impõe-se, por outro, que o poder político não estorve e, pelo contrário, lidere politicamente – mas não se meta no negócio! – a divulgação de Portugal como destino para o turismo de saúde e bem estar.

Se assim for, não tenho dúvidas que o futuro já vai começar.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

ADIANTE, QUE SE FAZ TARDE

Querem ir sem nós? Pois bem, nós seguiremos sem eles.
 Enquanto os donos dos partidos políticos se digladiam, uma vez mais, decrépitos, para saber quem lava mais branco, a nossa vida contínua neste vale de lágrimas a que nos levou, diz-se, a crise de 2008. Há, porém, que parar e pensar: não seremos, muitos de nós, cúmplices da crise? A vitimização não será um “desporto” nacional? Poderemos, como nação, viver algum dia sem andar com a mão estendida, mendicante, na pedincha de ajuda ou, desonesta, a gozar à custa do trabalho dos outros (colónias, União Europeia…)?

Um indício de resposta foi-me trazida nestes dias mais fortemente enquanto esteve no Porto, a convite do Forum Portucalense, o Sr. ILAN GEVA, um dos maiores peritos mundiais em marketing, convidado a falar sobre dois temas: “Portugal destino de excelência – TURISMO DE SAÚDE E BEM ESTAR – QUE FAZER?” e “Porto! Uma marca para o mundo!”. Quem assistiu, considerou excelente o conteúdo das informações que nos foram trazidas por esse guru norte americano e vários presentes nas conferências, de algum saber de experiência feito, concluíram que neste país se vai por um caminho errado e urge mudar de estratégia se algum dia quisermos tirar a cabeça debaixo de água. Outros não perceberam nada. Muitos, responsáveis no aparelho da administração pública ou autarcas, que todos pagamos, primaram pela ausência. Também os autodesignados “notáveis”(!?) do Porto fizeram sentir com a sua ausência a soberba do seu egoísmo, da sua ignorância e do seu desprezo por tudo o que não vai no sentido dos seus interesses individuais. A comunicação social, tirando a honrosa presença da RTP1 e do jornal “Vida Económica” – cada vez mais claramente um exército de mercenários estúpidos – fez ouvidos de mercador aos eventos.

Feliz o país que tais filhos… tem!

Adiante, porém que se faz tarde.

Na espuma dos dias recentes e no contexto da visita assinalada, outras situações vieram fundamentar a razão de ser das perguntas com que iniciei esta crónica. Escolho sublinhar as seguintes:

1. No hotel, na baixa do Porto, onde ficou instalado o convidado do Forum Portucalense, só é possível atender uma chamada telefónica de cada vez. A esposa do Sr. Ilan Geva passou horas a tentar falar para esse hotel sem sucesso!

2. À partida para um cruzeiro no Douro – e apesar da empresa organizadora ter sido informada a respeito do viajante que iria acolher, - apareceu, apenas, tarde e a más horas, uma loira oxigenada, mas sobretudo malformada, a “despachar” para o comboio os turistas. Nem uma palavra de boas vindas, (nem qualquer outra) mas, antes, o desprezo por um trabalho que deveria ser exercido com particular cuidado.

3. Na programada (e acordada) visita a um espaço público marcante das artes, nem um passarinho cuidou minimamente de acolher o visitante. A pesporrência e negligência de quem o governa (?) fez-nos corar de vergonha.

E fico por aqui. Não sem sublinhar que houve também momentos a atitudes cativantes e do verdadeiro interesse de Portugal: do Sr. Doutor Manuel Teixeira (Secretário de Estado da Saúde); do Sr. Prof. Agostinho Cruz (Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Porto); do Sr. Prof. Salvato Trigo (Universidade Fernando Pessoa); do Sr. Dr. Laranjeira Pontes (Instituto Português de Oncologia do Porto); do Sr. Prof. António Ferreira (Hospital de S. João); do Sr. Dr. Paulo Sarmento e Cunha (Casa da Música); do Sr. Dr. Manuel Cabral (Instituto dos Vinhos do Douro e Porto).

Aos que vivem dos “tachos” com que o poder político paga favores e nada fazem; aos que vivem dos subsídios do Estado para não fazer nada e aos que já desistiram de lutar apenas peço que não vivam mais à custa dos que sacrificadamente ainda trabalham e lutam. Deixem a sociedade civil organizar-se e agir em liberdade num voluntário e gratuito prazer de construir um país novo.

Querem ir sem nós? Pois bem, nós seguiremos sem eles.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

quinta-feira, 9 de maio de 2013

ENTRE MUNDOS


Há sinais inegáveis de uma rutura com o passado.

As palavras que ora escrevo não serão mais do que palavras, porventura vazias, neste mundo que está virado de pernas para o ar. Escritos na água neste tempo opaco, rico em incertezas e prenhe de riscos que vem marcando uma etapa mais do trânsito da humanidade.

Há sinais inegáveis, porém, de uma rutura com o passado que nos colocam perguntas fortes e para as quais não alcançamos respostas, ou apenas algumas respostas frágeis, precárias.

Uma nova era marca já o nosso tempo. Não se trata de um mero tempo de mudança, mas de uma transformação radical, que vai às raízes das nossas vidas e as muda completamente. No entretanto desmembram-se continuidades que parece terem imperado no passado. Vejam-se alguns sinais. A Igreja Católica, que, quer se queira quer não, é um referencial incontornável da nossa mundividência, tem um novo Papa… ao lado de outro, dito emérito, mas que não deixa de carregar em si um certo passado que ainda é presente. Tão presente como o novo Papa Francisco, porventura o símbolo de algo novo, revolucionário mesmo. Não há, decerto, saber cientifico para perceber o que se passa e cada um tirará as suas ilações. Vale aqui, talvez, apenas aquela reflexão de Santo Agostinho: “Credo ut intteligam… intellego ut credam” (creio para poder entender… entendo para poder crer) – porventura um imprescindível apoio para nos situarmos neste conturbado mundo.

O processo austeritário em curso – e sem fim à vista – agrava cada vez mais a nossa condição de vida, ainda que, a alguns, esteja a trazer cada vez mais riqueza e poder. Não sairemos dele, porém, seja quando for, com o mesmo modo de ser ou de estar.

O crescimento económico é, por outro lado, a ilusão que, agora, parece despontar no céu negro entre os trovões.  Mas, nada estando assegurado, cabe, mesmo assim, perguntar: crescimento para quem? Crescimento de quê?

Entre a realidade e as promessas evidencia-se o desnorte que vai na vida pública em Portugal e no mundo. Na “Troika”, que nos oprime, uns acham que basta de punição e apelam ao crescimento económico, enquanto outros convocam e impõe uma ainda mais dura austeridade numa dualidade de posições que mostra bem o desvario que vai na cabeça dos políticos. Por cá, neste país que apodrece em cada dia que passa, acontece um governo com dois primeiros ministros (ou três, além de Passos e Portas … Gaspar)

Em casa onde não há pão (juízo) todos ralham e todos têm razão.

O início deste milénio há-de ficar na História como um tempo de mediocridade – de gente sem escrúpulos na governação pública; de ideias estúpidas e políticas experimentalistas; de falta de solidariedade e de egoísmo; de fome e de mal estar geral; de ausência de honra e de humanismo, também.

Em momentos de catástrofe é necessário projetar o pensamento para o período que se lhe há-de seguir e, daí, de novo, olhar com esperança o futuro. A isto se chama “catastrofismo esclarecido” (Jean-Pierre Dupuy, La marque du sacré: essai sur une dénégation, Paris, 2009) o que é algo que não tem sido objeto de devida atenção. Há que, com efeito, dizer a verdade sobre o presente sem minimizar o tamanho da catástrofe que se abateu sobre nós, mas lançar, também, pontes para o outro lado.

Os livros já foram todos lidos e as teorias são todas conhecidas da generalidade dos “mestres” que governam este tempo. Só falta, agora, dar um “jeitinho” e assumir uma ideia sobre Portugal – que não é um mero gabinete em Bruxelas, Nova York ou Berlim com janela para a província.